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O Trabalho nas sociedades modernas

Para entendermos as características do trabalho nas sociedades modernas, devemos primeiro observar como se constituía nas sociedades pré-modernas.
Nas sociedades pré-modernas o trabalho não era o elemento central que orientava as relações sociais. Existiam outros fatores mais importantes definidos pela hereditariedade, religião, honra, lealdade ou posição social, que não eram definidas pelo cargo na produção econômica.
Pelo contrário, o campo econômico e o trabalho eram desvalorizados, considerado algo penoso, torturante ou castigo.
Nessas sociedades o trabalho está relacionado a obtenção apenas do necessário para manter o sistema funcionando, não existindo por isso a noção de lucro e nem preocupações em otimizar  as técnicas de produção.
Com a ascensão do capitalismo a importância do trabalho foi aumentando e ele foi se deslocando para a posição central da vida das pessoas. Com a necessidade dos capitalistas de recrutar pessoas para trabalhar em suas fábricas, passou-se a difundir a ideologia de que o trabalho era algo positivo, bom para todos.
Juntamente passou-se a acusar pessoas que não trabalhavam com termos pejorativos a fim de constrangê-los socialmente e forçá-los a trabalhar.
As pessoas não estavam acostumadas a trabalhar com uma rotina mecânica, milimetricamente calculada, pois o que determinava seu tempo de trabalho era a natureza: as estações do ano, a chuva, o sol, o dia, a noite, etc. Foram necessário séculos para disciplinar e preparar a sociedade para o trabalho industrial diário e regular. Ex: Do século XVI até início do século XX existiu a chamada “santa segunda-feira”. Devido a exaustiva jornada de trabalho, algo que a sociedade não estava acostumada, não se trabalhava na segunda-feira e as vezes se estendia até terça-feira.
Entre as mudanças que ocorreram nas formas de produção da idade média para o capitalismo podemos citar:
               
- Casa e local de trabalho foram separados.

- Separaram o trabalho e seus instrumentos (que ficaram nas mãos dos capitalistas).
               
- Tiraram a possibilidade do trabalhador conseguir a própria matéria-prima.

Tudo passou a ser dos industriais e comerciantes que haviam acumulado riquezas. Eles financiavam, organizavam e coordenavam a produção de mercadorias, definiam o que produzir e em que quantidade.
A organização do trabalho passou da cooperação simples para manufatura e dessa para a maquinofatura.

Cooperação simples: assim como nas formas de organizar o trabalho da idade média (corporações de ofício), havia uma hierarquia entre o mestre e o aprendiz. Ambos eram artesãos e conheciam todo o processo produtivo, do molde ao acabamento. A diferença é que eles estavam a serviço de um financiador que lhe fornecia matéria prima e lhe dava algumas ordenanças.

Manufatura (ou cooperação avançada): o trabalhador continuava a ser artesão, mas não fazia tudo do começo ao fim. Cada pessoa faz uma parcela do produto em uma linha de montagem. O trabalhador perdeu o entendimento da totalidade do processo de trabalho e também do seu controle. Só entendia, por exemplo, da cola do sapato, pois era o que fazia o tempo todo.

Maquinofatura: o espaço de trabalho passou a ser a fábrica. Foi dispensado o conhecimento que o trabalhador possuía sobre os produtos. A máquina passou a fazer o serviço.
As habilidades profissionais perderam valor, só restou ao trabalhador vender sua mão de obra.

BIBLIOGRAFIA:
GIDDENS, Anthony. Sociologia.  Ed. Artmed. Porto Alegre, 2004.
TOMAZI, Nelson Dácio. Sociologia para o ensino médio. Ed. Atual. São Paulo, 2007.

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